segunda-feira, 14 de junho de 2010

↷ Nossas vidas são como a respiração

Helen Allingham
“Nossas vidas são como a respiração,
como as folhas que crescem e caem.
Quando realmente entendermos
sobre as folhas que caem,
seremos capazes de varrer os caminhos
todos os dias e nos alegrar
com nossas vidas neste mundo mutável”.

Ajaan Chah (Tailândia, 1918-1992)

domingo, 13 de junho de 2010

Nasceu no meu jardim um pé de mato

Steve Henderson
Nasceu no meu jardim um pé de mato
que dá flor amarela.
Toda manhã vou lá pra escutar a zoeira
da insetaria na festa.
Tem zoada de todo jeito:
tem do grosso, do fino,
de aprendiz e de mestre.
É pata, é asas, é boca, é bico, é grão de
poeira e pólen na fogueira do sol.
Parece que a arvorinha conversa.

Adélia Prado

sábado, 12 de junho de 2010

O Essencial do Tao

Um caminho pode ser um guia, mas não uma trilha definida.
Podem-se dar nomes, mas não rótulos fixos.
Não ser é chamado o princípio do céu e da terra;
Ser é chamado a mãe de todas as coisas.
Sempre desapaixonados, para ver as aparências
Sua origem é a mesma, mas tem nomes diferentes,
Ambos são considerados mistérios.
O mistério dos mistérios é o portal das maravilhas.

Thomas Cleary

Essa... a alegria que ele quer

Gustav Klimt
Deus nos dá pessoas e coisas,
para aprendermos a alegria...
Depois, retoma coisas e pessoas para ver
se já somos capazes da alegria sozinhos...
Essa é a alegria que ele quer.

João Guimarães Rosa

sexta-feira, 11 de junho de 2010

O Poeta Beija Tudo

Alfred Gockel
O poeta beija tudo, graças a Deus...
E aprende com as coisas a sua lição de sinceridade...
E diz assim: "É preciso saber olhar..."
E pode ser, em qualquer idade, ingênuo como as crianças,
entusiasta como os adolescentes e profundo como os homens feitos...
E levanta uma pedra escura e áspera
para mostrar uma flor que está por detrás...
E perde tempo (ganha tempo...) a namorar uma ovelha...
E comove-se com coisas de nada: um pássaro que canta,
uma mulher bonita que passou, uma menina que lhe sorriu,
um pai que olhou desvanecido para o filho pequenino,
um bocadinho de sol depois de um dia chuvoso...
E acha que tudo é importante...
E pega no braço dos homens que estavam tristes e
vai passear com eles para o jardim...
E reparou que os homens estavam tristes...
E escreveu uns versos que começam desta maneira:

"O segredo é amar..."
Sebastião da Gama (1924-1952)

sábado, 5 de junho de 2010

Mensagem

Cathy Delanssay
“Cada um que faz a sua parte
e dissolve a sua quota de fascínio e ilusões
está aplainando o caminho para os que vêm a seguir.
Esse é o maior serviço que o discípulo pode prestar a Humanidade”.

Alice Bailey (1880-1949)

Mensagem

Maxfield Parrish
“A ocupação principal do homem é tornar-se
consciente do seu verdadeiro propósito na Vida;
todas as outras ocupações são secundárias
em relação a este interesse principal.”

Paul Brunton (1898-1981)

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Furtei uma flor daquele jardim

Furtei uma flor daquele jardim.
O porteiro do edifício cochilava,
e eu furtei a flor.
Trouxe-a para casa e coloquei-a no copo com água.
Logo senti que ela não estava feliz.
O copo destina-se a beber, e a flor não é para ser bebida.
Passei-a para o vaso, e notei que ela me agradecia,
revelando melhor sua delicada composição.
Quantas novidades há numa flor, se a contemplarmos bem.
Sendo autor do furto, eu assumira a obrigação de conservá-la.
Renovei a água do vaso, mas a flor empalidecia.
Temi por sua vida.
Não adiantava restituí-la ao jardim.
Nem apelar para o médico de flores.
Eu a furtara, eu a via morrer.
Já murcha, e com a cor particular da morte, peguei-a docemente e fui
depositá-la no jardim onde desabrochara.
O porteiro estava atento e repreendeu-me:
– Que ideia a sua, vir jogar lixo de sua casa neste jardim!

Carlos Drummond de Andrade (1902-1987)

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Há nos teus olhos escuros

Há nos teus olhos escuros
Tantas centelhas, que ao vê-las
Penso na treva e nos brilhos
Das noites cheias de estrelas...

Penso em cousas singulares,
Indagando entre delírios:
Por que é que os céus inda brilham?
Por que não se apaga Sírius?

Euclides da Cunha (1866-1909)

segunda-feira, 31 de maio de 2010

↷ Heloisa de Argenteuil

➇ Heloísa de Argenteuil (1090-1164)
Fonte: [Referência]
Iluminura persa

Heloísa de Argenteuil (1090-1164) foi uma freira, escritora, erudita e abadessa francesa, mais conhecida por seu amor e correspondências com o filósofo Pedro Abelardo.
A história de amor entre Abelardo e Heloísa foi uma história dramática. O romance einiciou-se em Paris, Abelardo tinha 37 anos e Heloísa tinha 17 anos.
Abelardo, ao ver a jovem Heloísa, ficou encantado com a sua beleza, e tentou aproximar-se dela, pedindo ao seu tio Fulberto que o alojasse em sua casa, pois ficaria mais perto da sua escola, e não teria as preocupações de cuidar de uma casa, ficando com mais tempo para se dedicar aos seus estudos.
O tio de Heloísa viu nesta oferta uma oportunidade para a sua sobrinha evoluir nos seus estudos. Assim, Abelardo tornou-se professor de Heloísa.
Todas as horas vagas que Abelardo tinha dedicava-as a ensinar Heloísa, inicialmente na presença do tio Fulberto. Algum tempo depois, Fulberto, confiando em Abelardo, deixava-os sozinhos.
Como Abelardo ensinava na escola durante o dia, dava aulas a Heloísa durante a noite, enquanto o seu tio Fulberto e todos dormiam.
Em pouco tempo, cresceu entre ambos um grande amor, deixaram de se preocupar com os livros e o estudo, fascinados um pelo outro, viviam esta paixão de forma intensa. Tanto Abelardo como Heloísa, eram dois intelectuais, e ao viverem o seu amor, sabiam os perigos que corriam perante a sociedade.
Numa noite, o tio Fulberto descobriu o amor escondido entre Abelardo e Heloísa. Furioso, expulsou Abelardo de sua casa.
O amor entre Abelardo e Heloísa não diminuiu, começaram a encontrar-se nos locais que Heloísa podia frequentar sem acompanhantes; em sacristias, confessionários, catedrais.
Heloísa engravidou, e para evitar um escândalo, Abelardo levou-a às escondidas da casa do tio Fulberto, para a sua aldeia em Palais, onde ficou aos cuidados da sua irmã, até dar à luz um menino, a que deram o nome de Astrolábio.
Abelardo voltou para Paris, para continuar a ensinar, mas não conseguia estar longe de Heloísa, como tal, foi pedir ao tio Fulberto permissão para casar com Heloísa. Fulberto, embora magoado, consentiu o casamento. Heloísa deixou o filho com a irmã de Abelardo e dirigiu-se a Paris.
O casamento realizou-se durante a noite, às escondidas, numa pequena ala da Catedral de Notre-Dame, de modo a que ninguém desconfiasse. Só estavam presentes os familiares de Heloísa e alguns amigos de Abelardo.
Pouco tempo depois, o casamento foi sido descoberto e Fulberto envergonhado, resolveu vingar-se de Abelardo. Contratou uns homens para invadirem os aposentos de Abelardo durante a noite e castraram-no.
Na sua angústia e vergonha, Abelardo obrigou Heloísa a ingressar no mosteiro de Santa Maria de Argenteuil. Heloísa tinha vinte anos. Heloísa fez os votos monásticos e ingressou na vida religiosa, por amor a Abelardo. Abelardo retirou-se para o mosteiro de Saint-Denis.
Durante muitos anos Abelardo e Heloísa não se viram, apenas trocavam cartas um com o outro. Nestas cartas Heloísa expressava toda a sua dor, pela triste sorte do seu amor, e toda a sua rebeldia, por ter ingressado na vida religiosa e ter vestido o hábito.
Heloísa e Abelardo nunca deixaram de se amar. Anos mais tarde Abelardo construiu uma escola-mosteiro perto de Heloísa. Viam-se diariamente, mas não se falavam, apenas trocavam cartas.
Abelardo morreu em 1142, com 63 anos de idade. Heloísa mandou construir uma sepultura em sua homenagem.
Em 1162 morre Heloísa e a seu pedido, foi sepultada ao lado de Abelardo.
Em 1817 os restos mortais dos dois amantes foram levados para o cemitério do Padre Lachaise.
Filme: Em Nome de Deus é um filme feito
com base na história de Abelardo e Heloisa.
Edmund Blair Leighton - Abelard e sua Pupila Heloise

O mar

Estou a caminhar para sempre
nas costas desse mar,
Entre a areia e a espuma das ondas,
A maré alta vai apagar as minhas pegadas,
E o vento vai soprar a espuma para longe.
Mas o mar e a costa vão permanecer
Para sempre.

Khalil Gibran (1883-1931)

quarta-feira, 26 de maio de 2010

↷ Prefiro ficar só

Seymour Garstin Harvey
Não, eu não odeio as pessoas.
Só prefiro quando elas não estão por perto

Charles Bukowski (1920-1994)

terça-feira, 25 de maio de 2010

O AMOR é que é essencial

O AMOR é que é essencial.
O sexo é só um acidente.
Pode ser igual
Pode ser diferente.
O homem não é um animal:
É uma carne inteligente,
Embora às vezes doente.

Fernando Pessoa (1888-1935)

domingo, 23 de maio de 2010

Frases

“O ofício da filosofia é serenar as tempestades da alma”.
Michel de Montaigne (1533-1592)
“A palavra é metade de quem a pronuncia,
metade de quem a ouve”.
Michel de Montaigne (1533-1592)

Veronika decide morrer

Os dois testes mais duros no caminho espiritual
são a paciência para esperar o momento certo
e a coragem de não nos decepcionar com o que encontramos.

(Paulo Coelho)